Rancho Típico de Paleão fundado em Maio de 1954, é sócio
fundador da Federação do Folclore Português
e membro aderente da EUROPEADE.
Paleão, aldeia da Beira Litoral, situada entre o mar
e a serra, tem desde recuados tempos, profundas raízes
folclóricas.
É possível que para isso tenha contribuído
o culto fiel desde tempos imemoriais ao taumaturgo São
Mateus, cuja imagem se venera na sua capelinha, velha de séculos,
junto a Paleão.
Desde sempre, por ocasião da sua romaria anual em Setembro,
o povo de todo o centro do país aqui aflui, com os seus
ranchos e as suas tocatas, pagando promessas cantando e bailando
dia e noite, naquela sã alegria portuguesa contagiante
e irreprimível.
Não há que duvidar que qualquer povo está sujeito às
suas condições mesológicas. Os elementos
físicos, a solidariedade humana na luta pela vida, criam
uma mentalidade que se exprime na semelhança de sentir,
de pensar e de agir. Nenhum povo consegue libertar o seu espírito
da influência que nele exerce o céu, o clima, o
ar que respira, a água que bebe ou a paisagem que abraça.
Seja pelo influxo desta tradição, seja pelas
migrações temporárias dos nossos rurais,
portadores ou regressados com hábitos e costumes dos meios
em que labutaram, o nosso folclore tem características
bem definidas: fronteira que nos abre as portas do sul, no dizer
do Dr. Pedro Homem de Melo: "Em Paleão, no concelho
de Soure, província da Beira Litoral, principia coreográficamente,
a província da antiga Estremadura-Zona, outrora cedida
pelos reis à Ordem dos Templários para que estes
desbravassem as suas intérminas florestas virgens, as
quais, com o andar dos tempos, se foram transformando em terras
de cultivo. Fronteira folclórica, Paleão representa
irrefutavelmente, a chave que nos abre as portas do sul. No entanto,
ali, pela ultima vez, vindos do Norte, veremos e ouviremos a
moda do Malhão-Malhão em ré menor que é,
repetimo-lo, a contar do Norte, o derradeiro Malhão de
Portugal".
Se a uns estepe ou a planície longínqua imprime
olhar Vago e enigmático e a vida se arrasta ao som de
canções dolentes, a outros as serras alcantiladas,
o vale florido e fresco, a água límpida imprimem
um carácter, uma só fé que se traduz na
alegria do seu cantar.
Não podia o povo de Paleão e arredores passar
despercebido sem sofrer das suas condições mesológicas.
Além do meio, algo mais viria a influenciar a maneira
de ser dos da terra. Em noites e noites de romaria, S.Mateus
era visitado, e ao som dos tambores, das flautas, dos ferrinhos
e dos harmónios dançava-se cantava-se num folguedo
inolvidável.
Por isso Paleão tem o seu folclore, as suas danças
e cantares que velhos e novos dançavam nesses tempos de
romarias, folclore esse que se divide em dois tipos: o da serra
e o do litoral. Na serra as danças apresentam-se sempre
de roda vulgarmente com troca de pares, o que imprime uma certa
graciosidade. Já no litoral é mais vulgar apresentarem-se
as danças em grupos de dois pares.
Não querendo deixar perder essa tradição,
esse símbolo que nos falava de um eco distante e que poderia
morrer no tempo, criou-se em Paleão um Rancho que conserva,
canta e dança, ciosamente, o folclore da sua região,
conservando-lhe o doce sabor dos tempos idos.
A mulher usa chapéu preto sobreposto ao lenço.
Veste blusa rendada de diversas cores e feitios e saia preta
com barra de veludo e algibeira. As meias são de várias
cores e usa sapato serrano. Depois, sobre isto uma capoteira
rica, larga. Com gola e vidrilhos, o que dá a cada moça
uma beleza e contraste adequados à região.
O rapaz usa barrete preto comprido, camisa branca, colete preto,
calça preta de boca de sino, faixa preta e lenço
tabaqueiro, calçando bota serrana.
A orquestra, ao som da qual dançam, consta de acordeões,
clarinete, flauta.
Ferrinhos, crivo, viola e cana.
Paleão, não querendo deixar perder no tempo essas
tradições folclóricas de trajos, danças
e cantares com que o povo animava as romarias (S.Mateus, Sra.
do Círculo e Sra. da Estrela), tem desde 1954, o seu agrupamento
folclórico, que já há muito marcou a sua
posição dentro do Folclore Nacional, e do qual é lídimo
representante com actuações desde o Minho ao Algarve,
Região Autónoma da Madeira e, ainda no Estrangeiro:
em Espanha, França, Itália, Grécia, Holanda,
Bélgica, Alemanha e Polónia, tendo inclusivamente,
conquistado vários 1.ºs prémios em diversos
festivais. Teve ainda várias actuações na
RTP (Gravações nos estúdios do Lumiar-Lisboa
e no Monte da Virgem-Porto, e participação nos
programas: "O Passeio dos Alegres", "Sol de Verão" e "EXPO'98"),
TV FRANCESA, TV GREGA, RAI(Italia) E POLSKTV(Polonia).
Tem também gravações em disco, cassete
e CD.