Musica Portuguesa - Página inicial
Letras | Vários Artistas
 
Adelaide Ferreira
Amália Rodrigues
António Variações
Beatriz Costa
Cabeças no Ar
Carlos do Carmo
Carlos Paião
Dulce Pontes
Fausto
Francisco José
GNR
Herminia Silva
Jorge Palma
José Afonso
Lena d'Água
Maria Clara
Mariza
Paco Bandeira
Paulo de Carvalho
Quim Barreiros
Rio Grande
Rui Veloso
Sérgio Godinho
Tonicha
Trovante
UHF
Victor Espadinha
Xutos & Pontapés
 
(mais em breve)

A ceita tem um radar

Cabeças no Ar
 

No meio dos amigos, aprende-se muito mais
Do que em todos os manuais, históris de fazer corar
Coisas da vida reais, que nos querem ocultar
Quando os dias incertos, franzem o seu sobreolho
E até os céus mais abertos, nos correm o seu forrolho
Quem é que não nos enjeita,
só a seita, só a seita


A seita tem um radar
que apanha tudo no ar
Na seita não há papão
tudo tem explicação


No meio das amigas, aprende-se ainda mais
Vai-se mais longe que os sonhos e que a imaginação
As ciências naturais, cabem na palma da mão

 

 

Papel Principal

Adelaide Ferreira
 

A noite acabou
O jogo acabou
Para mim aqui
Quando acordar
Já te esqueci

O filme acabou
O drama acabou
Acabou-se a dor
Tu sempre foste
Um mau actor

Fizeste de herói
No papel principal
Mas representaste e mentiste tão mal

Quem perdeu
Foste tu só tu e nunca eu
Afinal
Hoje o papel principal é meu e só meu

Quem perdeu
Foste tu só tu e nunca eu
Afinal
Hoje o papel principal é meu

 

 

 

Cinderela

Carlos Paião
 

 

(Letra e Musica)
 

Eles são duas crianças a viver esperanças, a saber sorrir.
Ela tem cabelos louros, ele tem tesouros para repartir.
Numa outra brincadeira passam mesmo à beira sempre sem falar.
Uns olhares envergonhados e são namorados sem ninguém pensar.


Foram juntos outro dia, como por magia, no autocarro, em pé.
Ele lá lhe disse, a medo: "O meu nome é Pedro e o teu qual é?"
Ela corou um pouquinho e respondeu baixinho: "Sou a Cinderela".
Quando a noite o envolveu ele adormeceu e sonhou com ela...

Então,
Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.
Crescer,
vai dar tempo p´ra aprender,
Vai dar jeito p´ra viver
O teu primeiro amor.

Cinderela das histórias a avivar memórias, a deixar mistério
Já o fez andar na lua, no meio da rua e a chover a sério.

Ela, quando lá o viu, encharcado e frio, quase o abraçou.
Com a cara assim molhada ninguém deu por nada, ele atéchorou...

Então,
Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.
Crescer,
vai dar tempo p´ra aprender,
Vai dar jeito p´ra viver
O teu primeiro amor.

E agora, nos recreios, dão os seus passeios, fazem muitos planos.
E dividem a merenda, tal como uma prenda que se dá nos anos.

E, num desses momentos, houve sentimentos a falar por si.
Ele pegou na mão dela: "Sabes Cinderela, eu gosto de ti..."

Então,
Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.
Crescer,
vai dar tempo p´ra aprender,
Vai dar jeito p´ra viver
O teu primeiro amor.
 

Zumba na Caneca

Tonicha
 

INSTRUMENTAL

Oh meu bem aparte aparte - oioai
O queixo tinto do branco - oioai
Tambem eu fui apartada - oioai
Dum amor que queria tanto.

 

Ora zumba na caneca
Ora na caneca zumba
O diabo da caneca
Toda a noite catrapumba.

 

A uva que tem gainhas - oioai
É fruto de bom sabor - oioai
São com'os beijos que levo - oioai
Da boca do meu amor.

 

Ora zumba na caneca
Ora na caneca zumba
O diabo da caneca
Toda a noite catrapumba.

 

INSTRUMENTAL

 

Barrão, bombos e foguetes - oioai
Lá na quinta do Outeiro - oioai
Mata-s'o porco em Dezembro - oioai
Prova-se o vinho em Janeiro.

 

Ora zumba na caneca
Ora na caneca zumba
O diabo da caneca
Toda a noite catrapumba.

 

Viv'a festa da diafa - oioai
Vivam todos quanto estavam - oioai
E viva o nosso arrigueiro - oioai
Com uma caneca na mão.

 

Ora zumba na caneca
Ora na caneca zumba
O diabo da caneca
Toda a noite catrapumba.

 

Pumba, pumba
Cratapumba, pumba, pumba.
Cratapumba, pumba, pumba.
Cratapumba, pumba, pumba.
Cratapumba, pumba, pumba.
Cratapumba, pumba, pumba.
Cratapumba, pumba, pumba.
Cratapumba, pumba, pumba.

 

Ora zumba na caneca
Ora na caneca zumba
O diabo da caneca
Toda a noite catrapumba.

 

 

 

Baile da Paróquia

Rui Veloso
 

Fui ao baile da paróquia
Por alturas do Sao Pedro
Levei a minha lambreta
E o meu velho blusao negro.

 

Pus calcas americanas
Cocadas e muito justas
Calcei botas alentejanas
E cosi um dragao nas costas.

 

Punham só Gianni Morandi
Nelson Ned e Marissol
Fui ter com o disco-joca
E encomendei rock and roll.

 

Fui ao baile da paróquia
La prós lados de Valbom...
Fui ao baile da paróquia
La prós lados de Valbom...

 

Fui buscar a paroquiana
mais bela da diocese
Era tao pura e singela
Que até dava catequese.

 

Ensinei-lhe a dancar shake
Pus a pista em alvoroco
Quando fomos dancar slow
A bela nao me deu roco

 

Puxei-lhe o braco com forca
Fiz uma cena de macho
Estavam la os irmaos dela
Levei um arraial de facho.

 

Fui ao baile da paróquia
La prós lados de Valbom...
Fui ao baile da paróquia
La prós lados de Valbom...

 

Vim de la feito num oito
Com a poupa esfrangalhada
E nao me valeu de nada
Dizer que era baterista
Ja ninguém tem respeito
Pelos excessos de um artista!

 

Fui ao baile da paróquia
La prós lados de Valbom...
Fui ao baile da paróquia
La prós lados de Valbom...

 

 

 

 

Lisboa Menina e Moça

Carlos do Carmo
 

No castelo, ponho um cotovelo
Em Alfama, descanso o olhar
E assim desfaz-se o novelo
De azul e mar
À ribeira encosto a cabeça
A almofada, na cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia de um beijo

 

Lisboa menina e moça, menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura
Teus seios são as colinas, varina
Pregão que me traz à porta, ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida

 

No terreiro eu passo por ti
Mas da graça eu vejo-te nua
Quando um pombo te olha, sorri
É s mulher da rua
E no bairro mais alto do sonho
Ponho o fado que soube inventar
Aguardente de vida e medronho
Que me faz cantar

 

Lisboa menina e moça, menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura
Teus seios são as colinas, varina
Pregão que me traz à porta, ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida

 

Lisboa no meu amor, deitada
Cidade por minhas mãos despida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida


 

 

 

A Cabritinha

Quim Barreiros
 

Quando eu nasci a minha mãe não tinha leite
Fui criado como um bezerro enjeitado
Mamei em vacas em tudo que tinha leite
E assim deste jeito
Fiquei mal habituado

 

Hoje sou homem e arranjei uma cabritinha
E passo o dia a mamar
Nos peitinhos da Fofinha

 

Eu gosto de mamar
Nos peitos da Cabritinha

 

Eu gosto de mamar
Nos peitos da cabritinha

 

Eu gosto de mamar
Nos peitos da cabritinha

 

Mamo à hora que eu quero porque a cabrita é minha.

 

Eu gosto de mamar
Ai, nos peitos da cabritinha
Eu gosto de mamar
Ai, nos peitos da cabritinha
Eu gosto de mamar
Só nos peitos da cabritinha
Mamo a hora que eu quero porque a cabrita é minha

 

A cabritinha gosta de boa comida, boa cama e boa vida
Adora luxo e bem-estar

 

Ela adivinha a hora que chego em casa
E vai logo preparar
Os peitinhos para eu mamar

 

Eu gosto de mamar
Nos peitos da cabritinha
Eu gosto de mamar
Nos peitos da cabritinha
Eu gosto de mamar
Nos peitos da cabritinha

 

Mamo a hora que eu quero porque a cabrita é minha

 

(Repete)


 

 

 

 

Ternura dos Quarenta

Paco Bandeira
 

Quando penso o que passei
Fronteiras de solidão
Tinha prá dar e não dei
Olhei para mim e pensei

Não tenho nada na mão
Tive o tempo e não senti
Tive amores e não amei
Os amigos que perdi
E as loucuras que vivi
São tantas que já não sei


[refrão]


Quem eu era, quem sou eu e quem pareço
Se alguém hoje me espera, com certeza que mereço
Mereço ainda ,amor a tua presença
Para enfrentar a vida, com a ternura dos quarenta

 

Foram tantas as idades
Da vida que atrás deixei
Não quero sentir saudades
Vou em outras amizades

 

Amar o que não amei
Os copos que não bebi
Os discos que não toquei
Os poemas que não li
Os filmes que nunca vi
As canções que não cantei

 


[refrão]

 


Meus amigos, importante é o sorriso
Para seguir viagem
Com a coragem, que é preciso
Não adianta ,deitar contas a vida
A ternura dos quarenta
Não tem conta, nem medida

 


 

 

 

 

Recordar é Viver

Victor Espadinha
 

Foi em setembro que te conheci
Trazias nos olhos a luz de Maio,
Nas mãos o calor de Agosto e um sorriso
Um sorriso tão grande que nunca tinha encontrado
Ouve, vamos ver o mar...
Foste o 30 de fevereiro de um ano que inventaram
Falamos, falamos coisas boas e acabamos, em silêncio,
Por unir as nossas bocas e eu aprendi a amar

 

Foi em setembro que te conheci
Trazias nos olhos a luz de Maio,
Nas mãos o calor de Agosto e um sorriso
Um sorriso tão grande que não cabia no tempo
Ouve, vamos ver o mar...
Foste o 30 de fevereiro de um ano que inventaram
Falamos, falamos coisas tão loucas e acabamos, em silêncio,
Por unir as nossas bocas e eu aprendi a amar

 


Sim eu sei que tudo são recordações
Sim eu sei é triste viver de ilusões
Mas tu foste a mais linda história de amor
Que um dia me aconteceu e recordar é viver
Só tu e eu

 

Foi em Novembro que partiste
Levavas nos olhos as chuvas de Março
E nas mãos um mês frio de Janeiro
Lembro-me que me disseste que o meu corpo tremia
E eu que queria ser forte, respondi que tinha frio
Falei-te do vento norte
Não me digas adeus, quem sabe talvez um dia...
Como eu tremia de inverno, amei como nunca amei
Fui louco? Não sei, talvez! Mas por pouco, muito pouco,
Eu voltaria a ser louco com o amor de ti e o tremer

 

Foi em Novembro que partiste
Levavas nos olhos as chuvas de Março
E nas mãos um mês frio de Janeiro
Lembro-me que me disseste que o meu corpo tremia
E eu que queria ser forte, disse-te que tinha frio
Falei-te do vento norte
Não, não me digas adeus, quem sabe talvez um dia...
Como eu tremia meu Deus, amei como nunca amei
Fui louco? Não sei, talvez! Mas por pouco, muito pouco,
Eu voltaria a ser louco amar-te-ia outra vez

 


Sim eu sei que tudo são recordações
Sim eu sei é triste viver de ilusões
Mas tu foste a mais linda historia de amor
Que um dia me aconteceu e recordar é viver
Só tu e eu (3x)


 

 

 

 

Conchita Morales

Xutos & Pontapés
 

Terra do fogo
No sul da Argentina
Oito da matina e um frio de rachar
Sai a patrulha para militar

 

Estendendo a roupa toda remendada
Usada pelos seus irmãos
Sonha com um tango
Dançado com as mãos

 

Conchita Morales
Viu los federales
E logo ali temeu
Pelas lindas formas que sua mãe lhe deu

 

Anda Conchita
Carita bonita
Vais ter de agradar
Ao senhor militar

 

Ela não sabia
Se era noite ou dia
Se ainda chovia
Quando acordou
No chão da caserna onde ele a deixou

 

Ela andou cansada
Rota e usada
Pela tropa que lhe traçou
Negro destino que ela abraçou

 

Anda Conchita
Carita bonita
A vida não espera
Tu foge daí

Em Buenos Aires
são seis de la tarde
Conchita anda a trabalhar
Tem outras bocas para sustentar

 

Conchita Morales
Viu los federales
Garbosos e não resistiu
Mandou todos à puta que os pariu

 

Anda Conchita
Carita bonita
Dá-me a tua mão
Viva a revolução


 


 

 

 

 

Casa da Mariquinhas

Amália Rodrigues
 

Foi no Domingo passado que passei
À casa onde vivia a Mariquinhas
Mas está tudo tão mudado
Que não vi em nenhum lado
As tais janelas que tinham tabuinhas

 

Do rés-do-chão ao telhado
Não vi nada, nada, nada
Que pudesse recordar-me a Mariquinhas
E há um vidro pegado e azulado
Onde via as tabuinhas

 

Entrei e onde era a sala agora está
À secretária um sujeito que é lingrinhas
Mas não vi colchas com barra
Nem viola nem guitarra
Nem espreitadelas furtivas das vizinhas

 

O tempo cravou a garra
Na alma daquela casa
Onda às vezes petiscávamos sardinhas
Quando em noites de guitarra e de farra
Estava alegre a Mariquinhas

 

As janelas tão garridas que ficavam
Com cortinados de chita às pintinhas
Perderam de todo a graça porque é hoje uma vidraça
Com cercaduras de lata às voltinhas

 

E lá pra dentro quem passa
Hoje é pra ir aos penhores
Entregar o usurário, umas coisinhas
Pois chega a esta desgraça toda a graça
Da casa da Mariquinhas

 

Pra terem feito da casa o que fizeram
Melhor fora que a mandassem prás alminhas
Pois ser casa de penhor
O que foi viver de amor
É ideia que não cabe cá nas minhas

 

Recordações de calor
E das saudades o gosto eu vou procurar esquecer
Numas ginjinhas

 

Pois dar de beber à dor é o melhor
Já dizia a Mariquinhas
Pois dar de beber à dor é o melhor
Já dizia a Mariquinhas

 

 

 

 

 

 

Grandola Vila Morena

Zeca Afonso
 

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

 

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

 

Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

 

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena

 

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade

 

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

 

 

 

 

 

Laurindinha

Dulce Pontes
 

Ó laurindinha
Vem à janela
Ver o teu amor
Ai ai ai que ele vai para a guerra

 

Se ele vai para a guerra
Deixai-o ir
Ele é rapaz novo
Ai ai ai ele torna a vir

 

Ele torna a vir
Se Deus quiser
Ainda vem a tempo
Ai ai ai de arranjar mulher

 

 

 

 

 

Ó José aperta o laço

Maria Clara
 

INSTRUMENTAL

Como ninguém lhe ligava
O José foi à cidade
Só p'ra ver se encontrava
Por lá qualquer novidade.
´
Viu um laço, rica ideia
Disse logo e foi comprar
E toda a gente da aldeia
Começou logo a cantar.

Ó José e aperta o laço
Ó José e aperta-o bem
Ó José e aperta o laço
Ó José e aperta-o bem.

Que o laço bem apertado
Ai, ó José fica-te bem
Que o laço bem apertado
Ai, ó José fica-te bem.

Com uma laço tão catita
Toda a vida se muda
Que até a menina Rita
Logo o José cobiçou.

Combinou-se o casamento
E foi bem curto o namoro
E até nesse momento
Ele ouviu cantar em coro.

Ó José e aperta o laço
Ó José e aperta-o bem
Ó José e aperta o laço
Ó José e aperta-o bem.

Que o laço bem apertado
Ai, ó José fica-te bem
Que o laço bem apertado
Ai, ó José fica-te bem.

Diz agora toda a gente
Que o José sem desatinos
Já guardou todo contente
Muitos laços pequeninos.

Hão-de ser p'rós Jozesitos
Que o casal espera por fim
E é a sorrir com carinho
Que o povo canta assim.

Ó José e aperta o laço
Ó José e aperta-o bem
Ó José e aperta o laço
Ó José e aperta-o bem.

Que o laço bem apertado
Ai, ó José fica-te bem
Que o laço bem apertado
Ai, ó José fica-te bem.

INSTRUMENTAL

Ó José e aperta o laço
Ó José e aperta-o bem
Ó José e aperta o laço
Ó José e aperta-o bem.

Que o laço bem apertado
Ai, ó José fica-te bem
Que o laço bem apertado
Ai, ó José fica-te bem.

 

Aldeia da Roupa Branca

Beatriz Costa
Letra e Musica de Raul Portela, G. Chianca, A. Curto
 


Ai o sabão não mata,
Ai até lava os peixes,
Ai põe-nos cor de prata.
Três corpetes, um avental,
Sete fronhas, um lençol,
Três camisas do enxoval,
Que a freguesa deu ao rol.

Água fria, da ribeira,
Água fria que o sol aqueceu,
Velha aldeia, traga a ideia,
Roupa branca que a gente estendeu.
Um lençol de pano cru,
Vê lá bem tão lavadinho,
Dormindo nele, eu e tu,
Vê lá bem, está cor de linho.

 

Canção do Engate

António Variações
Letra e Musica de António Variações
 


Tu estás livre e eu estou livre
e há uma noite para passar
porque não vamos unidos
porque não vamos ficar
na aventura dos sentidos

Tu estás só e eu mais só estou
que tu tens o meu olhar
tens a minha mão aberta
à espera de se fechar
nessa tua mão deserta


[refrão:]
Vem que o amor
não é o tempo
nem é o tempo
que o faz
vem que o amor
é o momento
eu que eu me dou
em que te dás

Tu que buscas companhia
e eu que busco quem quiser
ser o fim desta energia
ser um corpo de prazer
ser o fim de mais um dia

Tu continuas à espera
do melhor que já não vem
e a esperança fio encontrada
antes de ti por alguém
e eu sou melhor que nada

 

Navegar, Navegar

Fausto
Letra e Musica de Fausto
 


Navegar navegar
Mas ó minha cana verde
Mergulhar no teu corpo
Entre quatro paredes
Dar-te um beijo e ficar
Ir ao fundo e voltar
Ó minha cana verde
Navegar navegar


Quem conquista sempre rouba
Quem cobiça nunca dá
Quem oprime tiraniza
Naufraga mil vezes
Bonita eu sei lá

Já vou de grilhões nos pés
Já vou de algemas nas mãos
De colares ao pescoço
Perdido e achado
Vendido em leilão
Eu já fui a mercadoria
Lá na praça do Mocá
Quase às avé-marias
Nos abismos do mar


Navegar navegar
Mas ó minha cana verde
Mergulhar no teu corpo
Entre quatro paredes
Dar-te um beijo e ficar
Ir ao fundo e voltar
Ó minha cana verde
Navegar navegar


Já é tempo de partir
Adeus morenas de Goa
Já é tempo de voltar
Tenho saudades tuas
Meu amor
De Lisboa
Antes que chegue a noite
Que vem do cabo do mundo
Tirar vidas à sorte
Do fraco e do forte
Do cimo e do fundo
Trago um jeito bailarino
Que apesar de tudo baila
No meu olhar peregrino
Nos abismos do mar

 

Aquela Janela Virada Pró Mar

Francisco José
Letra e Musica: Frederico de Brito
 


Cem anos que eu viva não posso esquecer-me
Daquele navio que eu vi naufragar
Na boca da Barra tentando perder-me
E aquela janela virada pró mar

Sei lá quantas vezes desci esse Tejo
E fui p´lo mar fora com a alma a sangrar
Levando na idéia os lábios que invejo
E aquela janela virada pró mar

Marinheiro do Mar Alto
Quando as vagas uma a uma
Prepararem-te um assalto
P´ra fazer teu barco em espuma

Reparo na quilha bailando na crista
Das vagas gigantes que o querem tragar
Se não tens cautela não pões mais a vista
Naquela janela virada pró mar

Se mais ainda houvesse mais fortes correra
Lembrando-me em noites de meio luar
Dos olhos gaiatos que estavam à espera
Naquela janela virada pró mar

Mas quis o destino que o meu mastodonte
Já velho e cansado viesse encalhar
Na boca da barra e mesmo defronte
Naquela janela virada pro mar

Marinheiro do mar alto
Olha as vagas uma a uma
Preparando-te um assalto entre montes de alva espuma
Por mais que elas bailem numa louca orgia
Não trazem desejos de me torturar
Como aquela doida que eu deixei um dia
Naquela janela virada pró mar

 

Dunas

GNR
Letra e Musica:GNR
 


Dunas são como divãs
Biombos indiscretos d´alcatrão sujos
Rasgados por cactos e hortelãs

Deitados nas dunas alheios a tudo
Olhos penetrantes pensamentos lavados

Bebemos dos lábios refrescos gelados
Selamos segredos saltamos rochedos
Em câmara lenta como na TV
Palavras a mais na idade dos porquês

Dunas como que são divãs
Quem nos visse deitados cabelos molhados
Bastante enrolados sacos-cama salgados
Nas dunas roendo maçãs
A ver garrafas de óleo boiando vazias
Nas ondas da manhã

 

Lisboa Antiga

Herminia Silva
Letra: José Galhardo e Amadeu do Vale | Música: Raul Portela
 

Lisboa, velha cidade,
Cheia de encanto e beleza,
Sempre a sorrir, tão formosa,
E no vestir, sempre airosa.
O branco véu da saudade,
Cobre o teu rosto linda princesa.

Olhai, senhores,
Esta Lisboa d’outras eras,
Dos cinco réis, das esperas,
E das toiradas, reais.
Das festas,
Das seculares procissões,
Dos populares pregões matinais,
Que já não voltam mais

 

Deixa-me Rir

Jorge Palma
Letra e Musica de Jorge Palma
 

Deixa-me rir
essa história não e tua
falas da festa, do sol e do prazer
mas nunca aceitaste o convite
tens medo de te dar
e não e teu o que queres vender

Deixa-me rir
tu nunca lambeste uma lágrima
desconheces os cambiantes do seu sabor
nunca seguiste a sua pista
do regaço à nascente
não me venhas falar de amor

Pois é, pois é
há quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor, o que vai dizer
Segunda Feira

Deixa-me rir
Tu nunca auscultaste esse engenho
de que falas com tanto apreço
esse curioso alambique
onde são destilados
noite e dia o choro e o riso

Deixa-me rir
Ou entao deixa-me entrar em ti
ser o teu mestre so por um instante
iluminar o teu refúgio
aquecer-te essas mãos
rasgar-te a mascara sufocante

Pois é, pois é
ha quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor, o que vai dizer
Segunda Feira

 

Sempre que o amor me quiser

Lena d'Água
Letra e Musica de Luis Pedro Fonseca
 

Sempre que o amor me quiser
Basta fazer-me um sinal
Soprado na brisa do mar
Ou num raio de sol


Sempre que o amor me quiser
Sei que não vou dizer não
Resta-me ir para onde ele for
E esquecer-me de mim
E esquecer-me de mim


Como uma chama que se esquece
Numa fogueira que arde de paixão


Sempre que o amor me quiser
Sei que a razão vai perder
Que me hei de entregar outra vez
Como a primeira vez


Sempre que o amor me quiser
Vou-me banhar nessa luz
Sentir a corrente passar
E esquecer-me de mim
E esquecer-me de mim


Como uma chama que se esquece
Numa fogueira que arde de paixão
Sempre que o amor me quiser

 

Maria Lisboa

Mariza
Letra: David Mourão-Ferreira
 

É varina, usa chinela,
Tem movimentos de gata;
Na canastra, a caravela,
No coração, a fragata.

Em vez de corvos no xaile,
Gaivotas vêm pousar.
Quando o vento a leva ao baile,
Baila no baile com o mar.

É de conchas o vestido,
Tem algas na cabeleira,
E nas veias o latido
Do motor duma traineira.

Vende sonho e maresia,
Tempestades apregoa.
Seu nome próprio: Maria,
Seu apelido: Lisboa.

 

Olá, tú por aqui (dueto com Tozé Brito)

Paulo de Carvalho
Letra e Musica de Tózé Brito
 

[PC(Paulo de Carvalho)]
-Ela saiu, não sorriu, mal me olhou, mas deixou ficar
O nosso amor pelo chão para eu arrumar
Deixou a dor a correr e a saudade na nossa mesa
Deixou o amor por fazer e a tristeza no ar

[TB(Tozé Brito)]
-Quando ela entrou, e sorriu-me, e olhou-me, não deixou ficar
O nosso amor pelo chão para eu arrumar
Pôs a ternura a aquecer toda a noite à lareira
Pôs o amor a correr e a alegria no ar, para eu cantar:

[refrão:]
[TB] -Olá! Tu por aqui?
[PC] -Olá... então como vais?
[TB] -Tudo vai bem?
[PC] -Olha, tudo vai mal para mim.
[TB] -Mas tudo vai mal porquê?

[PC] -Foi um amor que eu perdi,
Ela partiu, eu fiquei...
Se a encontrares, diz-lhe que eu estou por aqui
[TB] -Se a encontrar, direi.

[+1 Tom] [TB]
-Ela saiu, não sorriu, mal me olhou, mas deixou ficar
O nosso amor pelo chão para eu arrumar
Deixou a dor a correr e a saudade na nossa mesa
Deixou o amor por fazer e a tristeza no ar

[PC]
-Ela voltou, e sorriu-me, e olhou-me, e não quis deixar
O nosso amor pelo chão para eu arrumar
Pôs a ternura a aquecer toda a noite à lareira
Pôs o amor a correr e a alegria no ar, para eu cantar:

[PC] -Olá! Tu por aqui?
[TB] -Olá, então como vais?
[PC] -Tudo vai bem?
[TB] -Não, tudo vai mal para mim...
[PC] -Mas tudo vai mal porquê?

[TB] -Foi um amor que eu perdi,
Ela partiu, eu fiquei...
Se a encontrares, diz-lhe que eu estou por aqui
[PC] -Se a encontrar, direi.

[refrão]

[PC] -Olá! Tu por aqui?
[TB] -Olá, então como vais?
[PC] -Tudo vai bem?
[TB] -Tudo vai mal para mim.
[PC] -Mas tudo vai mal porquê?

[TB] -Foi um amor que eu perdi,
Ela partiu, eu fiquei...
Se a encontrares, diz-lhe que eu estou por aqui
[PC] -Se a encontrar, direi.

 

Postal dos correios

Rio Grande
Letra: João Monge
Música: João Gil
 

Querida mãe, querido pai. Então que tal?
Nós andamos do jeito que Deus quer
Entre dias que passam menos mal
Em vem um que nos dá mais que fazer

Mas falemos de coisas bem melhores
A Laurinda faz vestidos por medida
O rapaz estuda nos computadores
Dizem que é um emprego com saída

Cá chegou direitinha a encomenda
Pelo "expresso" que parou na Piedade
Pão de trigo e linguiça pra merenda
Sempre dá para enganar a saudade

Espero que não demorem a mandar
Novidade na volta do correio
A ribeira corre bem ou vai secar?
Como estão as oliveiras de "candeio"?

Já não tenho mais assunto pra escrever
Cumprimentos ao nosso pessoal
Um abraço deste que tanto vos quer
Sou capaz de ir aí pelo Natal

 

Com um brilhozinho nos olhos

Sérgio Godinho
Sérgio Godinho
Música: Sérgio Godinho
 

Com um brilhozinho nos olhos
e a saia rodada
escancaraste a porta do bar
trazias o cabelo aos ombros
passeando de cá para lá
como as ondas do mar.
Conheço tão bem esses olhos
e nunca me enganam,
o que é que aconteceu, diz lá
é que hoje fiz um amigo
e coisa mais preciosa
no mundo não há.

Com um brilhozinho nos olhos
metemos o carro
muito à frente, muito à frente dos bois
ou seja, fizemos promessas
trocamos retratos
trocamos projectos os dois
trocamos de roupa, trocamos de corpo,
trocamos de beijos, tão bom, é tão bom
e com um brilhozinho nos olhos
tocamos guitarra
p´lo menos a julgar pelo som

E que é que foi que ele disse?
E que é que foi que ele disse?
Hoje soube-me a pouco.
passa aí mais um bocadinho
que estou quase a ficar louco
Hoje soube-me a tanto
portanto,
Hoje soube-me a pouco

Com um brilhozinho nos olhos
corremos os estores
pusemos a rádio no "on"
acendemos a já costumeira
velinha de igreja
pusemos no "off" o telefone
e olha, não dá p´ra contar
mas sei que tu sabes
daquilo que sabes que eu sei
e com um brilhozinho nos olhos
ficamos parados
depois do que não te contei

Com um brilhozinho nos olhos
dissemos, sei lá
o que nos passou pela tola
do estilo és o "number one"
dou-te vinte valores
és um treze no totobola
e às duas por três
bebemos um copo
fizemos o quatro e pintámos o sete
e com um brilhozinho nos olhos
ficamos imóveis
a dar uma de "tête a tête"

E que é que foi que ele disse?
...

E com um brilhozinho nos olhos
tentamos saber
para lá do que muito se amou
quem éramos nós
quem queríamos ser
e quais as esperanças
que a vida roubou
e olhei-o de longe
e mirei-o de perto
que quem não vê caras
não vê corações
com um brilhozinho nos olhos
guardei um amigo
que é coisa que vale milhões.

E que é que foi que ele disse?
...

 

Fizeram os dias assim

Trovante
Letra: Luís Represas
Música: Manuel Faria
 

Por mais que larguem os braços
Por mais que soltem amarras
E que se tapem as covas

Por mais que rasguem os quadros
Por mais que queimem as leis
E que os costumes esmoreçam

Por mais que arrasem as feras
E que os papões arrefeçam
E que as bruxas se convertam

Por mais que riam as caras
E que ternura se esqueça
Por mais que o amor prevaleça
Vocês
Fizeram os dias assim!

Não nos venham pedir contas
Não venham pôr-nos regras
Sabemos que os nossos dias
Não vão ser gastos assim!

 

Matas-me com o teu olhar

UHF
Letra: Miguel Fernandes e António Manuel Ribeiro
Música: Miguel Fernandes
 

Noites frias de marfim
Noites frias ao luar
A conversa já no fim
Matas-me com o teu olhar.
Matas-me com o teu olhar
Matas-me com o teu olhar.

Sabes que esta vida corre
Como a sombra pelo chão
Nada fica, tudo foge
Ouve a voz do coração.

Matas-me com o teu olhar
Matas-me com o teu olhar.

São como cubos de gelo
Que eu sinto ao tocar
As palavras têm medo
Matas-me com o teu olhar.

Matas-me com o teu olhar
Matas-me com o teu olhar.

Com o teu olhar.

Matas-me com o teu olhar
Matas-me com o teu olhar.
Matas-me com o teu olhar
Matas-me com o teu olhar.
Com o teu olhar.

 

 
 
 
 
Ranchos . Grupos Musica Tradicional . Canções . Letras . Artistas . Festas . Conjuntos . Organistas . Links . Tunas . SiteMap

Webdesign / Webmarketing - Fernando Graça - 2008
Envie-nos a sua mensagem Busca interna